sábado, 5 de outubro de 2013

O TREM DAS ESTAÇÕES




O apito estremece as pedras
é o trem trazendo vidas,
carregado de sonhos.
Sonhos vindo, sonhos indo
na mesma estação
sonhos de vida, sonhos de amor.
sonhos de menino, sonhos de mulher.

Dentro do trem tem o garçom
carregando prato de almoço,
equilibrista e dançarino
no meio da gente
que vai e volta sempre.

Dentro do trem tem o chefe
que grita Carlos Euler
que grita Falcão
Não grita Ribeirão
nem Barra Mansa
onde tudo começa
onde tudo termina.

Tem café e pastel na estação
gente que corre descendo do trem
na paisagem bonita de serração
e no sorriso que cada um tem.

Montanhas sem fim
de matas e chuvas
rios, córregos, cachoeiras
e caminhos de cavaleiros.

Sorriso de quem vai
sorriso de quem fica
sorriso de quem espera
sorriso de quem nunca foi
é assim a viagem de trem
é assim na estação.

Em cada parada
o olhar sobre os telhados
o desejo do moço
o sonho da menina
o velho de cócora
sem pensamentos
só com as imagens
gravadas no seu passado.


Sai o trem
Deixa Ribeirão Vermelho
chega em Lavras
Sobe a serra até Carrancas
entra em Minduri
faz parada em São Vicente de Minas
e depois em Andrelândia
vai indo até Arantina
depois, Augusto Pestana
Carlos Euler
e Passa Vinte...
Acabou Minas Gerais.

Começa o Rio de Janeiro
chega em Falcão
-Café e pastel-
segue até Quatis
depois, Barra Mansa.

A viagem termina
com gosto de fuligem
e tempero de almoço
o chefe cochila
o garçom olha da janela
os passageiros indo embora
O maquinista dá o último apito
Pra lembrar que a vida é como o trem
cheia de estações, cheia de sonhos
até um destino final.

Texto de Pedro Paulo de Oliveira.
Reprodução permitida, desde que citada a autoria

IMAGEM: GOOGLE
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