quarta-feira, 16 de outubro de 2013

HERDEIROS DA VIDA.




Como será o mundo daqui a cem anos?
Onde estarão meus descendentes no próximo século?
E as casas que construí, estarão ainda de pé?
E os filhos, netos e bisnetos dos meus amigos,
onde estarão e fazendo o que?
E o meus sonhos?

Construímos obras sobre pedras, ferro e barro;
guardamos e gastamos dinheiro por toda vida;
e, por sorte, somos donos de um espaço de terra
de onde brota a árvore, o trigo e o milho.
Não percebemos que para viver
só precisamos da água,
do sol, do ar e dos frutos da terra.

Ao longo da vida, juntamos números,
pedras e terra.
Somos altivos pelo quanto possuímos
e não percebemos a mutação que se opera
de forma implacável em nossos corpos.
No final, só nos resta a alma,
que segue na sua missão eterna de viajar sem rumo.

Tudo que juntamos, então, se esvai
nas mãos dos que ficaram,
na eterna e insípida disputa pela terra,
sobre a terra.

Então, por que não enxergamos que a matéria é una,
feita para decompor-se e logo transformar-se?
Não compreendemos que os nossos corpos são feitos de barro.
Não percebemos que o imortal -invisível como o átomo - é a nossa alma.
O espírito é essência, é parte do todo que é Deus,
não é moldável, não se decompõe, apenas viaja.
O espírito é a própria vida.
O espírito não pode levar nossa ambição,
a matéria que juntamos.

Sentir o espírito é sentir a essência de Deus,
é unir-se ao Todo Poderoso,
despojar-se da louca ambição.

O espírito está no olhos da criança
que deixa o útero, percebe a luz
e procura os braços da mãe.
É nesse instante a criação se torna plena e eterna.



Texto de Pedro Paulo de Oliveira.
Direitos autorais reservados.
Reprodução permitida, desde que citada a autoria.

Imagem: Busca no Google.
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