quinta-feira, 10 de outubro de 2013

LÚDICO E ETERNO






O que escrevo não me pertence...
É parte do universo, vivo e perene,
que não sei se tem início ou fim,
mas que me absorve, me conduz, me transforma.
Sou parte da vida, tal como a ave, a árvore,
a partícula da nuvem, parte da energia que azula o céu.

Penso na eternidade olhando os seres vivos,
sinto a mutação à minha volta
na luta pela sobrevivência de cada ser.
A música me conduz às lutas,
vejo as aves pequeninas açoitando o gavião
e encontro a resposta para a luta dos seres humanos:
é a busca e o encontro com o passado,
o ser selvagem e pleno no meio da natureza.

No céu, as nuvens formam seus contornos,
faixas brancas, acinzentadas, grandes aglomerados,
no alto, no meio do azul, a luz converge para um túnel.
Vejo, novamente, a vida, num eterno vai-e-vem,
nada começando, nada acabando.
Então, sou eterno, porque vou e voltarei
e, quando voltar, serei ainda mais pleno,
pois estarei espalhado por muitos lugares
e minhas vivências não serão mais minhas.

O ser humano só morre quando não nasce,
a vida flui e permanece,
este é o sentido dela:ser perene.
Daqui a milhões de anos estarei vivo,
dentro de um corpo qualquer
e meus sentimentos serão como os de agora.

As águas que brotam da terra,
as águas do rio, as águas do mar, as águas do céu...
Longe, muito longe, os astros, o espaço sideral.
É só olhar com paciência para ver que nada mudou e nada mudará,
as coisas se acomodam, ressurgem, como se fosse do nada,
mesmo quando pensamos estar destruindo um pedaço desta terra que habitamos, pois tudo é absorvido pela luz.

A diferença entre os seres humano são os sentimentos,
o amor: ele se espalha, contagia, impregna
e nos transforma em seres eternos.

Não morre quem ama!



Texto de Pedro Paulo de Oliveira.
todos os direitos reservados
Reprodução permitida desde que citada a autoria.

Imagem: Cássia Oliveira.

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