sexta-feira, 19 de julho de 2013

NOITE, DESAMBIGUAÇÃO DOS DESEJOS.



Noite, tu és mulher voluptuosa,
mulher charmosa,
mulher dengosa,
mulher cheirosa.

Por que a noite sempre nos trás lembranças,
o gosto de alecrim e de alfazema?
Seria a noite o instante supremo da vida?
Ou seria a noite o momento mágico
quando desnudamos nosso eu
de convenções e proibições?

Noite, desambiguação de desejos contidos,
contidos pela luz do dia,
pela terra que gira na direção do sol.

Nós, humanos, somos seres notívagos,
ofuscados pela luz do dia
encontramos na noite
nosso eu suprimido.

Noite... de lua cheia, de via láctea
não apetece que chova
e que chova, mas não na minha alcova
onde meu corpo estremece de desejo
muito embora possa estar distante
dos meus olhos em danação.

A danação não me deixa ir embora
enquanto na noite eu não encontrar
seu corpo nu e sem demora
perder-me sem demora
que perdido na noite quero ficar
até que chegue, devagar, a aurora.


Somos filhos da noite, com certeza
de encontros ardentes e alucinados,
e da ânsia danada que viceja
de dois seres apaixonados.

É na noite que a (o) procuro
na penumbra tateio suas artes pudendas
despido (a) de opróbrio e de medo
sentindo o odor de barrela
atiçando ainda mais o meu fogo,
subindo a febre que toma meu corpo.

Venha, entregue-se, encontre-se na noite,
a noite é feita para os perdidos.



Pedro Paulo de Oliveira
Direitos Autorais

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