sábado, 7 de fevereiro de 2015

O TURVO E O TEMPO - FRAGMENTOS DO LIVRO





O Coronel embrenhou-se na mata e ficou espreitando nas brechas do capim. Em campo aberto seria presa fácil. De longe a sombra se movia delineando-se em contornos rudes e poderosos sob a luz da lua. Aos poucos pode ouvir a respiração do animal faminto e furioso.  O diabo de tudo era que aquele animal o caçava movido pelo instinto protetor de mãe. Seu ninho havia sido descoberto e ela o protegeria com a própria vida.

O Coronel sabia que qualquer movimento que fizesse dispararia o ataque prematuro da fera. Mal conseguia respirar e espreitava o bicho do meio da moita. A espingarda já estava engatilhada. A onça parda pisava suavemente na terra ainda úmida da última chuva e seus olhos brilhavam mais forte quanto mais se aproximava. O animal, por instinto, caminhava devagar, com todos os seus sentidos aguçados. Preparava-se para atacar uma presa que sabia que estava parada a poucos metros de si. Sentia seu cheiro forte e já podia calcular o local onde ela estava. A fera só não podia prever que tinha diante de si um homem armado com uma espingarda carregada de chumbo para derrubar um cavalo. 

A três metros do Coronel a onça parou, encolheu o dorso deitando-o no chão e estirou a patas dianteiras preparando-se para o ataque fatal. O Coronel José Bonifácio já estava com a arma apontada na direção dela. Os dois olhares se encontraram num brilho único e poderoso.

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Pedro Paulo de Oliveira.  
  
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