quarta-feira, 23 de julho de 2014

MENINA DESVIRGINADA



Não há amor nos olhos da menina
que desce a ladeira de pedras côncavas...
há desejo
pernas trôpegas
passos curtos e apressados
o desejo arde na virilha.
Ela tem sal,
tem cheiro,
tem gosto...

Não há amor nos gestos da menina
que busca o prazer descendo a ladeira
sobre saltos e coxas grossas.

O que a menina quer?
Quer a noite iluminada
-suada, molhada, latente-
ela quer o macho
chegando ardente
sem amor também
filho de homem
como cachorro
de ninguém.
A menina...
Ela quer ser rasgada
sem roupa,
gemendo
perdida
na rua
no escuro
na areia
na chuva...
de pernas abertas.

Texto de Pedro Paulo de Oliveira



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