quarta-feira, 19 de setembro de 2007

OS ÚLTIMOS HERÓIS

Fabiana se virou, enquanto o aroma do café se espalhava pela cozinha e indagou:
---“Eles quem? Os radicais que pregam pegar em armas e enfrentar o exército, todo o aparelho de segurança nacional”?
Anselmo olhou-a, pigarreou e disse com ar muito sério:
---“ Você sabe que sou contra a luta armada. Mas nem todos pensam assim. A esquerda está muito dividida em nosso país. A ALN age por conta própria; o nosso movimento sindical está todo infiltrado por gente treinada na Rússia e em Cuba. Aliás, quase todos os recursos que temos vêem desses dois países.Contudo, não acredito que possamos mudar as coisas através das armas. Podemos mudar essa situação através da conscientização, do protesto pacífico e da desmoralização dessa cambada de milicos que vendem nosso país ao capital estrangeiro. Mas as ações radicais acontecem e muitos dos nossos pagam um preço muito alto. Veja, por exemplo, o que acontece em São Paulo, com o carrasco do Fleury promovendo uma caça às bruxas em nome da segurança nacional. O sujeito é um sanguinário impiedoso – Tortura e mata nossos companheiros”.
Fabiana aproximou-se da mesa com a garrafa de café e as xícaras, colocou-as próximas de Anselmo, buscou bolo que estava no armário, sentou-se ao seu lado e desabafou:
---“Tenho muito medo por nós. Sei que a sua decisão foi tomada quando ainda éramos namorados e nos conhecemos no Movimento. Mas...agora...o Atílio...eu e você. Tenho muito medo do que pode acontecer.
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