segunda-feira, 10 de março de 2014

O ROTUNDO VERSO ADVERSO


O espaço oco 
atrás do toco
palavra mordida
da ânsia perdida...

O silêncio mordaz
do ser incapaz
depois do desejo
de além do beijo.

Os passos ecoam
de fantasmas que povoam
vidas tantas
de imagens santas.

Sigo em frente
atrás vem gente
seres dementes
corpos ardentes..

O andor é de barro
tenho pressa
carrego o jarro
sigo nessa.

Que coisa louca
desgraça é pouca
muito que nada
a dor é safada.

Foda-se o mundo
chamo me raimundo
que pedra no sapato
tem quem não é sensato.

Zumbido é o da abelha
em cima da telha
que produz mel
zumbido do homem produz fel.

Vou indo embora
já vou tarde amém
resta você agora
sozinho também
que coisa: alguém é de alguém?

Texto de Pedro Paulo de Oliveira.

Imagem: uscapitol
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