terça-feira, 14 de maio de 2013

O DOCE E INFINITO ORVALHO


O orvalho, doce infinito de uma obra prima,
Gota de cristal escorrendo lentamente
Condensada na penumbra do ocaso
Diante da luz, para diluir-se, desvanecer-se como um sopro.

Flui e percorre o caminho que escolheu para si.
Mas, prefere a folha e a pétala para a fecundação,
Deseja, infinitamente, para sempre, a vida,
E rola, desliza como uma pérola solta por casualidade da concha escura.

Num instante, ainda presente, de vida ardente,
Rola o orvalho e cai sobre o solo como chuva fina.
Fecunda a terra, húmus que se espalha,
A menina que olha e sonha todos os sonhos de criança,
Sonhos eternos como o orvalho.

Pedro Paullo – Outubro de 2012

segunda-feira, 13 de maio de 2013

OLHOS DE PÉROLA


Seus olhos têm o brilho da pérola e a força da sedução.
Dentro dos seus olhos vejo a magia e um desejo ainda reprimido,
Oh, musa inspiradora que faz brotar minha paixão,
Meu corpo espera por ti, sob a água, desejo incontido.

Seus olhos, mesmo distantes, têm o poder do encantamento,
Penetram a carne trêmula que há muito espera o desenlace
Trazida pelo rocio ao âmago da alcova
Que testemunhará o deleite perene da junção dos corpos.

É seus olhos, mulher, que agora me pertencem, eu busco...
A luz que nasce deles sai da sua alma
Eles têm a vida que procuro incessante, constante, eternamente.


Pedro Paullo – Outubro de 2012
Direitos Autorais



sábado, 11 de maio de 2013

MÃE... ETERNA MÃE


Mãe... Em qualquer tempo, em todo lugar...
Estarás viva, olhando-me, presente,
E eu aqui, buscando o brilho do seu olhar,
Serei para ti a criança sorridente.

Embora, mãe, não tenha mais seu aconchego,
Sinto ainda seu calor,
Sinto, ainda, seu chamego,
Sinto, ainda, seu amor.

Sim, serei sempre, sua criança,
Menino descalço, menino levado...
Levarei comigo a esperança
De um amor imaculado.

Amor de mãe que vai para o paraíso,
Mãe que vira estrela no firmamento
Para iluminar e dar juízo,
Carinho, sorriso e encantamento.

Receba, oh mãe, do seu menino,
Flores e o coração.
Dê, em troca, um sorriso genuíno...
E tenha minha eterna gratidão.

Pedro Paulo de Oliveira – 11 de maio de 2013
Direitos autorais.

FLOR NO ORIENTE



O solo preto de carvão diante dos olhos atônitos da menina
Que, antes, afável, embalava seus sonhos no jardim da primavera.
A cortina de fumaça trespassa sua alma e sufoca seu grito de agonia
Pela perda incontida das vidas inocentes.

A solidão é perene com a visão dos corpos mutilados nos destroços de cimento.
A menina caminha devagar, olha tudo à sua volta sem compreender a dor
Que, ao longe, se faz presente no clamor dos derrotados.

A paisagem se alarga com a vida quase extinta
Na órbita do olhar infantil e aterrorizado
Que pede socorro num brado mudo e desamparado.

Na ingenuidade, ela olha onde antes era o jardim,
E os folguedos se avivam na neblina poeirenta
Que envolve os soldados que vasculham o nada.

No solo chamuscado uma flor teima ainda viva,
Arrebatada pela pólvora e largada ao acaso no descaso de quem não a viu.
A menina se ajoelha e pega a flor ao lado de um corpo sem vida.
O soldado, de pé, no meio da neblina, olha assustado,
Vira-se, atira.
A menina segura a flor e a oferece ao soldado,
Sem compreender a dor que atravessa seu peito,
Os pequeninos olhos brilhando
Num último lampejo de luz e doçura.

Pedro Paulo de Oliveira – Texto revisado em 11 de maio de 2013.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

UMA GOTA DE ORVALHO



Pois havia uma gota de orvalho
Escorrendo pela vidraça,
Caiu na íris dos olhos da menina
Que, de inocente, pensou que era um diamante,
Mandado do céu.

A gota brilhante escorreu e escorreu,
Caiu no gramado e virou pedrinha de gelo,
No meio do todo transformou-se em geada,
E a menina olhou para mim e disse:
Pai... Olha quantas pérolas!




Para minha pequena Alline, que um dia pensou que as gotas de orvalho eram pedras preciosas caindo do céu.




Pedro Paulo de Oliveira – 10 de maio de 2013.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

AS TRÊS DIMENSÕES E A VIDA.



Dentro do meu eu, o mundo,
histórias de homens e mulheres...
Dentro do meu ser, a vida,
O infinito do mundo, a eternidade.

Existo no momento da concepção do todo,
um grão de poeira, flutuando pelo cosmo.
É isso... Sou poeira pairando no ar,
Levada pelo vento.

Não existe morte, não existe fim,
Eu me transformo no tempo e no espaço,
sou parte da força e da massa do ente eterno,
Do tempo-espaço e de tudo que é relativo.

Sei que habito o universo,
E jamais o deixarei, transmutando-me,
passando, intermitente, por cada dimensão,
Evento em busca da luz.

Sou efeito e causa de um desejo
Passando pelo cone de luz,
As vezes suave, por vezes um lampejo,
Muitas vezes como um raio, explodindo em fagulhas.

Meus olhos, em contínuo desejo,
Buscam a simetria no lugar, na distância
Na dimensão temporal, na dimensão espacial.

Sou parte das três dimensões
Sou a vida plena e perfeita,
Gravitando suave e harmônica,
Sou o infinito, sou o eterno.

Pedro Paulo de Oliveira - 09 de maio de 2013

Imagem: busca no Google.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A VIDA DE CADA UM

O que seria da vida sem o mistério que envolve o universo?
O que seria da vida sem essa busca pelo inusitado
e sem os problemas para enfrentar todos os dias?


Seria uma vida vazia, perdida no escuro do vácuo de um espaço sem fim.


Pedro Paulo de Oliveira